
O assunto desta semana não é nada natalino, mas tem incomodado o meu coração. Isso porque há poucos dias uma colega, que é advogada, comentou que naquela semana a polícia havia prendido QUATRO pedófilos na minha cidade. Ela ainda encheu a boca para falar que eles moram no bairro mais nobre do município.
Naquele mesmo período, o principal jornal da região noticiou que um conhecido professor de Capoeira havia sido preso pelo mesmo crime, mas na cidade vizinha à minha. E, claro, me preocupei:
1º) Porque tenho filhos;
2º) Moro no tal bairro nobre citado e logo pensei que, de repente, poderia até conhecer um dos criminosos;
3º) Meu menino faz atividades extras, que vão além da escola. Assim, acaba ficando sozinho com professores (claro que só o deixamos com pessoas que parecem confiáveis, mas rosto bonito e cara legal não mostra do caráter do ser humano, tampouco revela seu íntimo).
Então o que fazer? Porque mesmo que evitasse que ele ficasse sozinho com o professor nas aulas particulares, a experiência (e os jornais) mostram que não podemos impedir mesmo quando as aulas são coletivas (afinal, de quem vocês acham que esse professor de capoeira abusava? E aulas de capoeira são, pelo menos até onde sei, em grupo).
Acredito que para evitar que menores caiam nas lábias desses perigosos bandidos, o ideal é que pais mantenham o diálogo aberto com os filhos. Inclusive porque não podemos colocá-los numa bolha até crescerem e saírem para o mundo, não é verdade? Por isso acho que, a partir de determinada idade, a melhor proteção é a conversa franca.
Logo que fiquei sabendo dessas brutalidades aqui tão pertinho da gente, comentei o assunto com meus pais na mesa, enquanto lanchávamos. Meu filho, que tem oito anos, em outro cômodo ouviu o assunto e correu para perguntar o que era pedofilia. Confesso que na hora fiquei meio sem chão, difícil responder a essa pergunta para uma criança que (graças a Deus) ainda é criança (sem qualquer noção de sexualidade).
Minha saída foi responder que pedófilos são adultos que tem prazer em fazer mal às crianças. Ele se contentou com a resposta, mas eu senti que não fui clara o suficiente. Conversando com o marido a respeito, ele acha que dei a resposta certa. Mas não sei, pois é tão fácil ludibriar crianças.
Bom, enquanto isso vou conversando com o Caio, falando para ele que NINGUÉM pode tocar em certas partes do corpo dele (nem "amiguinhos", nem "adultinhos") e oriento a me contar logo se algo acontecer (graças a Deus o diálogo entre nós flui muito fácil). Também explico (sem cansar) que não deve acompanhar ninguém que não conheça (e mesmo se conhecer, para ir a qualquer lugar com aquela pessoa, tem que ter autorização dos pais), assim como não aceitar nada de estranhos (por mais tentadora que pareça ser a situação). E, por fim, falo que se pagarem-no a força, que grite, para que logo percebam que aquilo não está certo e é crime, e ele possa ser salvo.
Como mãe, às vezes (ou constantemente) ouço histórias que me deixam apavorada. Mas o que mais posso fazer senão conversar com meus filhos, orientá-los, mostrando que o mundo não é bonzinho o tempo todo, como também não é ruim o tempo todo?
O que mais posso fazer senão pedir para Deus cuidar das minhas crias, proteger meus pequenos e livrá-los do mal (e dos maus)? Só posso dormir a noite sossegada porque ESCOLHO CONFIAR EM DEUS.